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![Em relação ao tema disponibilidade hídrica, especialmente em um contexto de mudanças climáticas*, cada vez mais abruptas, que atingem não apenas o Brasil, mas o mundo como um todo, ainda que de forma assimétrica entre as diferentes regiões do globo, é impossível não pensar em questões críticas para a gestão dos recursos hídricos em sua totalidade.
Em termos de montante global, existem discrepâncias na avaliação na distribuição de água no planeta, muitas delas causadas por uma involuntária mistura de conceitos relativos à definição dos compartimentos hídricos. Partindo do princípio de que as várias avaliações de distribuição de água no planeta procuram aproximar-se o mais possível de uma realidade em constante mudança, acredita-se que os valores mais adequados seriam aqueles derivados de uma abordagem estatística das estimativas existentes (SPERLING, 2006).
De acordo com o supracitado, estima-se que teríamos, aproximadamente, (SPERLING, 2006):
Total: 1,3588 a 1,385967 bilhões de km³;
Oceanos: 1,3213 a 1,370125 bilhões de km³, correspondente a 96,5 a 97,6%;
Água doce: 0,0333 a 0,035 bilhões de km³;
Águas interiores: 105.000 a 189.990 km³, correspondente a 0,007 a 0,014%;
Geleiras: 24.000.000 a 29.100.000 km³, correspondente a 1,65 a 2,38% do total e a 68,9 a 76,4% da água doce;
Águas subterrâneas: 4.000.000 a 23.400.000 km³, correspondendo a 0,29 a 1,7% do total e a 25 a 29,9% da água doce;
Lagos: 176.400 a 280.000 km³, correspondente a 0,017 a 0,03% do total e a 0,35% da água doce;
Lagos de água doce: 100.000 a 125.000 km³;
Lagos salinos: 85.000 a 176.400 km³, correspondendo a 0,006 a 0,13%;
Umidade do solo: 16.500 a 85.000 km³, correspondendo a 0,001 a 0,06%;
Atmosfera: 12.250 a 14.000 km³, correspondendo a 0009 a 0,001 % do total e a 0,035% da água doce;
Rios: 1.000 a 1.700 km³, correspondendo a 0,005% do total e a 0,00009 a 0,0001 % da água doce;
Organismos: 1.000 a 1.120 km³, correspondendo a 0,0001%.
Para facilitar a apresentação dos valores percentuais, calculou-se a média aritmética, a partir das estimativas de volume de cada compartimento. A partir desses resultados, procedeu-se à conversão em valores percentuais, para melhor compreensão (SPERLING, 2006):
Oceanos: 97,07526%;
Água não oceânica: 2,92474%, distribuída da seguinte forma:
Geleiras: 1,91523%
Águas subterrâneas: 0,98828%
Lagos: 0,01646%
Umidade do solo: 0,00366%
Atmosfera: 0,00095%
Rios: 0,00009%
No Brasil, a partir do processo de transição campo-cidade brasileiro, em meados das décadas de 1960 – 1970, o uso inadequado dos recursos hídricos desequilibrou o frágil equilíbrio entre oferta e demanda de água, contribuindo para a escassez hídrica e a redução da qualidade de vida da população em geral. Esse fenômeno manifestou-se em particular no Nordeste brasileiro, região historicamente subdesenvolvida em âmbito nacional, em detrimento do Sudeste, economicamente dominante, dado o modelo de produção brasileiro.
Estabeleceu-se, assim, no Brasil, uma situação de desequilíbrio entre o padrão espacial da disponibilidade de água e o padrão espacial da demanda pelos centros de consumo. A sociedade moderna ampliou a diversidade dos usos da água, assim como intensificou a exploração do recurso, originando diversos conflitos (FERREIRA et al, 2008).
Com vistas a melhor planejar e gerir os recursos hídricos, foi instituída a Divisão Hidrográfica Nacional, fundamentada no princípio da Política Nacional de Recursos Hídricos* e organizada a partir do conceito de bacia hidrográfica*. Região hidrográfica é considerada o “[…] espaço territorial brasileiro compreendido por uma bacia, grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contíguas, com características naturais, sociais e econômicas homogêneas ou similares, com vistas a orientar o planejamento e a gestão dos recursos hídricos” (ANA, 2007, apud FERREIRA et al, 2008).
Com base na Divisão Hidrográfica Nacional, subdividida em 12 (doze) regiões, (Amazônica, Paraguai, Tocantins-Araguaia, Atlântico Nordeste Ocidental, Atlântico Nordeste Oriental, Parnaíba, São Francisco, Atlântico Leste, Atlântico Sudeste, Paraná, Atlântico Sul e Uruguai), foi possível realizar estudos técnicos regionalizados sobre disponibilidade hídrica, eventos críticos, relação população e disponibilidade e gestão em recursos hídricos, entre outros aspectos, que dão arcabouço para a compreensão da disponibilidade hídrica, em território nacional.
O Estado de São Paulo, como caso particular, não poderia ser excluído desses estudos, principalmente, após a crise hídrica, que se estabeleceu entre os anos de 2014-2015 e afetou sobremaneira a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP).
O principal sistema hídrico de abastecimento público de água para a RMSP é o Sistema Cantareira, embora a infraestrutura produtora de água bruta, no Estado, esteja dividida entre os seguintes sistemas: Cantareira; Paraíba do Sul; Rio Claro; Alto Tietê; Rio Grande; Billings; Guarapiranga; Cotia; e São Lourenço.
Saiba mais: https://cth.daee.sp.gov.br/ssdsp/
Cada um desses sistemas possui suas respectivas represas de captação, barragens, reservatórios, estações de tratamento de água/esgoto, pontos de controle e outras obras infraestruturais, que garantem o bom funcionamento do sistema na totalidade.
Diante do exposto, evidencia-se a necessidade de analisar o abastecimento e a disponibilidade hídrica de São Paulo, de forma contínua. As intensas atividades desenvolvidas no espaço urbano geram elevada demanda de água, que vai além das necessidades básicas da população e abrange o uso para lazer e a concessão para uso industrial, configurando um quadro complexo de competição pela água. Nesse sentido, o abastecimento de água, atravessado por múltiplas determinações, deve ser planejado de forma integrada (SORIANO et al, 2016).
Ao mesmo tempo, em períodos de crise, a análise deve considerar tanto as variáveis naturais das áreas das bacias hidrográficas geradoras de água bruta, como os fatores climáticos, a entrada de água e o estado de preservação das superfícies receptoras, quanto às variáveis dependentes de gestão, como a capacidade da infraestrutura para o aproveitamento dessa água. Associada a uma avaliação dos padrões de consumo, são esses os principais pontos que melhor orientam a análise da disponibilidade e da escassez, além de permitirem identificar as responsabilidades dos atores sociais envolvidos (RODRIGUES; VILLELA, 2015).
Por fim, para se pensar a disponibilidade hídrica num país de dimensões continentais, não basta somente compreender o ciclo hidrológico* e a eficiência operacional dos sistemas instalados. É necessário considerar os fatores climáticos, geográficos, históricos e regionais atravessados por diversas políticas públicas, que transformam e colocam a realidade local em movimento. Tal complexidade exige revisões periódicas e contínuas, em busca do aprimoramento e fortalecimento das instituições públicas comprometidas com a melhora de vida da população brasileira.](https://static.wixstatic.com/media/3fe3f9_ecaeb50c117b41ff8a0e45333535e665~mv2.jpg/v1/fill/w_187,h_125,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/3_PNG.jpg)


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